Um homem e seu carro
Abril 29, 2008
Homens adoram carros. Eles dão nomes a eles, cuidam como se fossem da família. Eu mesmo tive o meu caso de amor por um Escort Hobby prata 98. “O que isso tem a ver com o filme?”, você pergunta. Resposta: As coisas ficam cada vez mais estranhas.
Pra quem não sabe, a pré-produção do filme teve que ser toda feita aqui em casa. A obra na produtora nunca acabava e no fim das contas, meu escritório virou central de produção. Pouco antes do primeiro dia de filmagens, uma coisa aconteceu. Um pé de arruda que fica na varanda simplesmente murchou.
Bom, eu não sou supersticioso. Nem a pessoa mais religiosa do mundo. Pra falar a verdade, sou bem cético. Mas o que é que eu faço com o que eu vou contar a seguir?
Como já escrevi aqui, a filmagem foi cheia de percalços (câmera pifando, ator perdendo voz, etc.). Concluído o filme, o Léo, assistente de direção, gente fina e espírita (eu não sabia) me chamou a atenção:
- Bruno, eu fui no Centro.
- Centro?
- Centro espírita.
- Ah.
- E falei das zicas do filme e tal…
- Uhum.
- Escuta, o dono do carro… Ele morreu, né?
- …
Flashback: Faltando uns 15 dias para as filmagens, Carol (Diretora de Arte) e Paulo (Cenotécnico) entram no escritório felizes da vida. Acharam o carro. Um Monza 94, parado, cujo dono havia falecido recentemente. A dona, viúva, aceitou a proposta e fechamos rapidamente a venda. Logo, o carro passou por uma revisão e pouco depois, estávamos preparando-o para o filme. Por preparar, entenda amassar lataria e quebrar vidros.
Feito tudo isso, Paulo solta a pérola: “Ai, se o dono do carro visse isso”. “Oi?” “Ele era apaixonado pelo carro.”
Bom, ontem à noite, Léo me liga:
- Alô, Bruno?
- Ôpa.
- Fala, cara. Estou saindo do centro.
- Centro?
- Centro Espírita.
- Ah.
- Então, me chamaram num canto lá. Do nada. E me disseram que o dono do carro ainda tá no carro.
- …
- É. Ele não fez a passagem, tá por aqui ainda. E apareceu pra moça aqui do Centro.
- …
- O carro, você já devolveu ele?
- Hmmmnão.
- Onde que ele tá?
- Na minha garagem.
- …
- Léo.
- …
- Fala alguma coisa.
- Ai.
Agora são meia noite e quinze da segunda-feira. Enquanto escrevia esse post, acendi a luz que estava apagada, dei uma volta hesitante na sala, fui até o quarto e vi meu filho dormir. Ceticismo à parte, essa história toda me deixou meio assim. Segundo o Léo, eu devo mandar rezar uma missa para o dono do carro. “Não existe maldade nele, nem nada disso, mas um espírito confuso pode ser um problema”.
Meu lado racional me diz pra ficar na minha que isso tudo é só história. Mas um arrepio leve na nuca me diz que não custa nada pedir paz pra um cara apaixonado pelo seu carro. O Monza ainda está guardado, para o caso de precisarmos refazer algum plano, então, onde ele estiver, espero que entenda o que estamos fazendo aqui. A verdade é que mesmo amassado e quebrado esse carro foi muito querido por toda equipe e não teríamos feito o filme sem ele.
Seja qual for a sua estrada agora, Euclides Añez, leve o nosso desejo de paz.
O carro, depois de “pronto”.

Estou em sampa no aeroporto de Congonhas e depois de um pouso cheio de medo, cheio de gente indo pra frente, cheio de barras de cereal no chão, eu cheguei já pedindo uma pinga (disseram q n vendem), e me dirigi (sem ela) para o portão de número 9 e acabo encontrando um inimigo de Cuiabá,sou inimigo do cara há um ano, bem que gostaria que fosse há pelo menos o equivalente ao número do portão (assim nem teria o conhecido). Olha o tanto de zica!!! Liguei o computador móvel, chequei e-mail, orkut, myspace, blog, fotolog (afinal sou filho de Paulo ANTENA), e leio:Üm homem e seu carro…e me diverti pra caralho, rí sozinho (alto) e uma galera ficou me olhando, me tirano num tem? (principalmente o meu inimigo), então sapequei: Vcs nunca riram sozinhos cambada de fia da rosca!!! Nessa hora um senhor se levantou veio pro meu lado com uma cara de quem ia bufar e me disse: Vc é filho de Paulo Antena? respondi que sim e ele me deu um abraco e ficou repetindo: Ojeda, Ojeda…Ojeda, vc viu meu carro?.
Acho que a produção devia convidar a todos da equipe para tomar um banho de sal grosso. Haja ocasião pra tanta zica. Fiquei na dúvida agora: Eu que nao sou um bom motorista por nao conseguir fazer o carro pegar ou o motor estava realmente tomado pelo “dono defunto”.
o filme rende estórias ainda após as gravações e estórias únicas como ele. me parece que a estrada de Euclides foi a mesma que a nossa nas semanas de produção e agora está parada, na garagem do diretor.
se vale rezar uma missa? pelo carinho, digo que vale. seria mais uma confraternização (dessa vez espiritual) simbólica pelos nossos caminhos entrelaçados nessas últimas semanas.
agora, essas coisas só acontecem contigo, hein brunão?
Espiritismo só serve pra me dar cagasso. Juro!
O primeiro curta que eu me meti a gravar era a história de uma menina que tinha morrido mas voltava pra ajudar outra no vestibular, mas isso só era revelado no final, claro.
No segundo dia de gravação a menina passou mal e não gravou, o ônibus que íamos gravar não passou no horário combinado, a câmera não gravou uma cena que fizemos dentro de um taxi… enfim, nada funcionou, fiquei com cagasso e nunca terminei o curta.
Como disse Forrest Gump: Shit Happens!
Boa edição.
Quando sair o trailer, manda pra eu ajudar a divulgar o curta.
Abs
Cara, só de bastidores devem ter surgido idéias para mais uns 40 curtas.
Bruno,
Léo,
E demais pessoas….
Podem ficar tranquilos. Eu sou filho do Sr. Euclides Añez que voces citam no texto acima.
Nós nao somos céticos e acreditamos em muitas possibilidades.
Agora podem ficar tranquiolos meu pai nao era apaixonado por esse carro, ele nao deu nome pra ele, e se tivesse tido oportunidade em vida ele ia vender ou fazer outra coisa com esse carro.
Que bom que ele está servindo pra fazer um filme (ou mais de um). Nós ainda estamos esperando a cópia prometida (num CD) que disseram que iam nos entregar.
Quanto a missa, ela é bem vinda, mais para acalmar voces do que a nós, porque acreditamos que ele está bem e nao é um espírito confuso, ele tinha sedimentação religiosa aqui e como a inteligência é inabalável ela é levada com o espírito e tudo de bom que foi adquirido nesta experiência.
Fiquem a vontade para divulgar o filme, nada de ruim vai acontecer, nao por causa dele.
Desejo sucessos a todos voces. E tambem espero ver o filme. A vibraçoes do filme eu encaminho particularmente ao Sr. Euclides Añez, o meu pai, e espero que eu goste do filme, quero mandar vibraçoes positivas pra ele.
Grande abraço e muita paz
Rogério Añez